quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Jackson nega irregularidades e afirma “TUDO É UMA ARMAÇÃO DO GRUPO SARNEY”

O governador do Maranhão em entrevista ao jornal 

Publicação: 04/12/2008 08:51

O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), integra, ao lado de outros seis chefes de Executivos estaduais, uma lista de políticos que respondem a ações na Justiça Eleitoral. Ele é alvo de acusações de abuso de poder político e econômico e de compra de votos nas eleições de 2006. O governador, no entanto, nega ter qualquer envolvimento em atos ilegais e considera que tudo não passa de uma “armação” do grupo ligado ao senador e ex-presidente José Sarney, seu rival histórico no estado. “Isso tudo é feito na tentativa de (os adversários) manterem algum tipo de liderança”, afirmou. No processo, Lago responde por firmar convênios supostamente irregulares com o governo estadual em 2006.

Como o senhor avalia a cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima?

Ontem (terça-feira) tivemos uma reunião no Recife com os governadores do Nordeste, o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O encontro começou com o governador Eduardo Campos (Pernambuco) propondo que Cássio Cunha Lima tivesse alguns minutos para explicar a situação. E qual não foi a surpresa de todos quando ele disse que nada daquilo (as acusações) era verdadeiro. Nós tomamos um susto. E aí eu fiquei pensando: do que me acusam? De ter sido eleito em função de convênio do governador que nos antecedeu com as prefeituras. Não tenho nada a ver com isso. O governador da época, o José Reinaldo, é do PSB e tinha um candidato ao governo, que era o Edson Vidigal. Eu era candidato do PDT. O que tenho com aquele convênio? Nada. Sou acusado de ter me beneficiado dos convênios. Isso não tem nada a ver.

E quanto à acusação de compra de votos?
Essa é outra coisa que nos acusam. Pegaram dois advogados desconhecidos de Goiânia e foram para Imperatriz (MA) montar processos. Pegaram pessoas para dizer que receberam dinheiro e votaram no Jackson Lago. Uma delas procurou a Polícia Federal e a Justiça dizendo que foi obrigada a fazer aquilo. E logo em Imperatriz, onde tive 78% dos votos no segundo turno. Sempre fui muito bem votado em Imperatriz. Quem quer comprar um voto, dois votos?

O senhor está confiante?
Claro. Não há nada. Tudo é uma armação do grupo dominante para poder manter algumas lideranças tanto na Assembléia Legislativa quanto em algumas prefeituras. Na hora que disserem que o Jackson vai ficar os quatro anos, eles perdem o pouco que têm. São 40 anos ali e as pessoas começam a ver que as coisas estão diferentes, que o estado é outro. Há obras, há escolas, há participação popular.

Então o senhor está dizendo que é um processo político?
É claro. O que fazem (os adversários) é para tentar manter algumas lideranças municipais, alguns deputados que eles têm. Ainda não houve a decisão (da Justiça Eleitoral), mas não creio que haja uma violência dessa natureza. Fomos eleitos a primeira vez em São Luís em 1988. De lá para cá, eles nunca mais ganharam nada. Não têm chance. A mesma coisa é no governo do estado. E eles dizem: “Temos que tirar no tribunal”. A primeira manifestação disso foi na eleição municipal deste ano. Eles historicamente faziam 80%, 85%, 90% das prefeituras e neste ano fizeram só um terço.

Do ponto de vista orçamentário, o senhor está tendo que rever projetos em função da crise?
Ainda não sentimos a repercussão da imensa crise do capital internacional, que tende a se espalhar para todos os setores. Tivemos a informação, todos sabem, que no mês de outubro houve a primeira baixa da produção industrial. Vamos aguardar novembro, dezembro, ver o começo do próximo ano. Também estamos melhorando nossa receita em função de modernização de técnicas, como a informatização de praticamente todo o sistema fazendário. É uma forma de diminuir o ralo.

Mas o senhor vai rever o orçamento do ano que vem?
Por enquanto, não mandamos buscar o orçamento na Assembléia Legislativa. O orçamento brasileiro não é impositivo, se houver dinheiro, será cumprido. Se não houver, não será cumprido. O que há de impositivo são as proporcionalidades, 25% da educação e os 12% da saúde. Vamos aguardar e ver como vai ser a seqüela da crise no nosso país. A diminuição do repasse da parcela do Fundo de Participação dos Estados, em novembro, acendeu a luz amarela. Vamos observar para ver se foi uma coisa episódica.


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